A indústria brasileira abriu 265 mil postos de trabalho no trimestre móvel encerrado em agosto, alta de 2%, segundo dados divulgados pelo IBGE em 29 de setembro. O resultado colocou o setor, ao lado da construção, entre os principais responsáveis pelo avanço da ocupação no país.

Para Rafael Cervone, presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), os números mostram a capacidade da indústria de gerar emprego e renda.
“A indústria brasileira voltou a dar uma demonstração concreta de sua capacidade de gerar emprego e renda. Os dados mostram o peso do setor no índice recorde de ocupação e nas mínimas históricas de desemprego”, afirmou.
Setor enfrenta custos altos
O avanço ocorreu mesmo em um cenário de juros elevados, crédito caro e mais difícil de conseguir, além de custos trabalhistas e impostos altos. Esse conjunto de obstáculos costuma ser chamado de “Custo Brasil”.
Segundo Cervone, a indústria ainda é o setor que mais paga impostos. Ele também destacou que a reforma tributária sobre o consumo ainda não trouxe efeitos práticos para as empresas.
“Nossa atividade está mostrando sua força, mesmo diante de juros exorbitantes, crédito caro e restrito, custos trabalhistas elevados e toda a estrutura de encargos e ineficiências que conhecemos como ‘Custo Brasil’”, disse Cervone.
Empregos formais geram impacto em outras áreas
Na avaliação do Ciesp, os dados do IBGE mostram que a indústria pode contribuir ainda mais para o mercado de trabalho quando encontra condições para produzir e investir.
Além das vagas dentro das fábricas, o crescimento do setor movimenta fornecedores, serviços, transporte, logística e comércio. Também amplia a oferta de empregos formais, que garantem maior proteção ao trabalhador e contribuições para a Previdência.
“A indústria tem uma capacidade muito grande de criar empregos de qualidade e movimentar cadeias inteiras de fornecedores, serviços, logística e comércio. Mas, para isso, precisa de políticas públicas que reconheçam sua importância e criem condições efetivas de competitividade”, afirmou Cervone.
O presidente do Ciesp defende uma agenda permanente de estímulo à atividade produtiva, com ações de Estado que não dependam apenas de um governo específico.
“Quando a indústria cresce, o benefício ultrapassa os muros das fábricas. Espalha-se pela economia e chega ao trabalhador, às famílias e a diversificadas cadeias de valor”, concluiu.