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Campinas aposta em microflorestas para aliviar o calor nas áreas urbanas

Microflorestas avançam em Campinas com o desafio é fazer verde sobreviver

Campinas quer usar pequenas áreas verdes para enfrentar um problema cada vez mais comum nas cidades: o calor intenso. O município criou um programa para implantar pelo menos 200 microflorestas em quatro anos.

Em agosto de 2026, a cidade já tinha passado de 46 mil mudas plantadas em 29 áreas. No Balão do Laranja, uma das primeiras iniciativas recebeu 3.240 mudas em um espaço de 3.240 metros quadrados. Perto do Terminal BRT Campo Grande, outras 355 mudas foram plantadas em uma área de 800 metros quadrados.

A proposta é transformar canteiros, rotatórias e terrenos pouco aproveitados em áreas com vegetação nativa. Além de ajudar a reduzir o calor, essas pequenas florestas podem melhorar a drenagem do solo e atrair animais.

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Felippe Rodrigues/Divulgação

“A ideia é aproveitar espaços que já existem na cidade e dar a eles uma nova função. Em vez de serem apenas áreas de passagem ou pontos isolados de vegetação, eles podem se tornar parte de uma rede de recuperação e cumprir uma função ambiental dentro da cidade”, explica Felippe Rodrigues, sócio da Guaruba, empresa que participa da implantação do projeto.

Mais mudas em menos espaço

Diferentemente do plantio tradicional, que costuma deixar mais distância entre as árvores, a metodologia das microflorestas usa de três a cinco mudas por metro quadrado. A concentração acelera o fechamento da vegetação e, segundo Rodrigues, o crescimento pode ser até dez vezes mais rápido.

Na prática, uma área de mil metros quadrados pode receber até 5 mil mudas. O modelo permite criar áreas verdes mesmo onde não há espaço para uma restauração convencional.

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Microfloresta entre rodovias/Divulgação

A expectativa é que uma microfloresta reduza a temperatura do entorno em até 5°C, ajude a água a penetrar no solo e contribua para prevenir alagamentos. O uso de espécies nativas também favorece a presença de pássaros, polinizadores e outros animais.

O trabalho continua depois do plantio

Plantar as mudas é apenas o começo. O acompanhamento pode durar até 36 meses, com cuidados como preparação do solo, irrigação, uso de hidrogel, controle de formigas, reposição de mudas e manejo da área.

O desenvolvimento da vegetação também é monitorado por drones e relatórios técnicos. A ideia é garantir que o espaço realmente se transforme em uma floresta, e não fique apenas como uma promessa verde no papel.

“O nosso trabalho não é entregar uma área verde, é criar as condições para que ela deixe de depender de nós. Quando a natureza começa a conduzir o processo, sabemos que a restauração realmente aconteceu”, afirma Rodrigues.

Segundo a Guaruba, a empresa já participou da restauração de mais de 60 hectares e do plantio de aproximadamente 100 mil mudas em projetos para construtoras, empresas de urbanismo, mineração, indústrias e condomínios.

Sustentabilidade precisa mostrar resultado

O projeto também se relaciona à chamada agenda ESG, conjunto de práticas ambientais, sociais e de governança adotadas por empresas. A cobrança, agora, vai além de informar quantas árvores foram plantadas: é preciso mostrar se elas sobreviveram e qual foi o resultado da ação.

Um estudo publicado em 2026 pela IFAC, AICPA e CIMA apontou que 97% das grandes empresas pesquisadas já divulgavam informações de sustentabilidade. Dessas, 75% submetiam os dados a algum tipo de verificação independente.

Para Rodrigues, as microflorestas ajudam a acompanhar uma ação ambiental com local definido, prazo, método e resultados. O plantio, nesse caso, não termina quando a última muda vai para o solo — começa ali uma etapa que exige cuidado e paciência.