Estudantes da rede municipal de Campinas criaram 14 modelos táteis em 3D sobre personalidades, monumentos e espaços importantes para a história da população afro-campineira. A iniciativa ajuda a ensinar história, fortalecer a educação antirracista e ampliar o acesso de pessoas com deficiência ao conhecimento.
Os modelos foram produzidos por professores e alunos do ensino fundamental atendidos pelo Centro de Gestão e Apoio à Inclusão de Alunos com Altas Habilidades/Superdotação (Gaiah). O trabalho faz parte do projeto de pesquisa “Rotas Afro Acessível”.
As peças foram entregues inicialmente ao coletivo Rotas Afro, que utiliza o material em atividades educativas com estudantes, incluindo turmas da educação infantil.
História de Campinas em peças táteis
Entre os modelos estão representações de Laudelina de Campos Melo, Carlos Gomes, Mestre Tito, Antônio Cesarino e Balbina Cesarino. Também foram reproduzidos locais e monumentos como a Estação Cultura, a antiga Igreja do Rosário, o Monumento à Mãe Preta, a Igreja São Benedito, a Catedral Metropolitana e o grafite “Raiz Fundamental”.
O conjunto inclui ainda o Monumento Bicentenário de Campinas, além da estátua e do busto de Carlos Gomes. Servidores do Arquivo Municipal ajudaram na pesquisa de documentos históricos e doaram a planta baixa do antigo Colégio São Benedito para a construção de uma réplica.
Carlos Gomes. Foto – crédito: Carlos Bassan / Prefeitura de Campinas, divulgação
“O trabalho foi desencadeado a partir de roteiros do Rotas Afro com o ensino fundamental, após conversas com um aluno. Então, isso mostra o impacto deste trabalho de educação antirracista junto às crianças e permite inovações para aprimorar a acessibilidade”, explicou a assessora de projetos da Educação de Campinas, Mariana Volpato.
Modelos serão levados às escolas
O Gaiah está imprimindo novas versões das peças para diferentes áreas da Secretaria Municipal de Educação. A expectativa é que os modelos sejam impressos nas escolas municipais de ensino fundamental (Emefs) até o fim do ano. Cópias também deverão ser doadas ao Arquivo Municipal.
Além de apoiar estudantes com deficiência, o material poderá ser usado por pessoas de toda a Região Metropolitana de Campinas (RMC) interessadas em conhecer o acervo tátil.
Réplica do monumento Mãe Preta. Foto – crédito: Carlos Bassan / Prefeitura de Campinas, divulgação
“Os materiais acessíveis irão beneficiar não somente os estudantes com deficiência da rede municipal, por meio do enriquecimento curricular, mas todas as pessoas da Região Metropolitana de Campinas [RMC] que quiserem conhecer o acervo de peças táteis”, explicou a professora articuladora do Gaiah, Aline Veltrone.
A ação reúne a Secretaria Municipal de Educação, o coletivo Rotas Afro, o Programa de Educação para as Relações Étnico-Raciais (Proerer), o Centro Multidisciplinar de Apoio, Pesquisa e Assessoria à Educação Especial Inclusiva (Cemapa) e o Núcleo de Educação Especial.
Neste ano, o projeto também passou a incluir a educação infantil em atividades na Estação Cultura. Os roteiros pela cidade continuam atendendo estudantes do ensino fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Para a Secretaria de Educação, levar as atividades para além da sala de aula ajuda a aproximar os estudantes da história da cidade, promove inclusão e contribui para uma cultura de paz.